Kleiton Reis

agosto 13, 2026

Tendências da hotelaria para o segundo semestre de 2026

As tendências da hotelaria em 2026: o que ainda esperar até o fim do ano

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As tendências da hotelaria em 2026 deixaram de ser tema de painel de evento e viraram linha no resultado. O ano moveu a discussão de “se” a tecnologia deve entrar na operação para “onde” ela protege margem primeiro.

A convergência é o que torna este segundo semestre diferente de qualquer outro. Ao mesmo tempo, você tem custo de distribuição sob pressão em vários mercados, reguladores mexendo nas regras das OTAs, canais de mensagem mudando de economia e um viajante que começa a pesquisa de hospedagem em lugares que não são mais o buscador.

Este artigo não é uma lista genérica de previsões. É uma análise de causa e consequência sobre seis frentes que devem mexer com a sua receita até dezembro, com o que dá para fazer em cada uma delas ainda neste ano.

O ponto de partida: um mercado que vende mais caro e cresce menos em volume

O cenário global é de demanda alta, mas de crescimento mais lento do que a euforia pós-pandemia sugeria. As chegadas internacionais somaram 1,52 bilhão em 2025, alta de 4%, e a UN Tourism projeta crescimento de 3% a 4% em 2026, condicionado à recuperação da Ásia-Pacífico e à ausência de escalada geopolítica.

Do lado do desempenho hoteleiro, a leitura é parecida em quase todo lugar. As projeções mais recentes de STR e Tourism Economics apontam RevPAR em alta moderada e puxada por tarifa: cerca de 1,4% nos mercados europeus, 4,4% na Ásia-Pacífico e 2,8% nos Estados Unidos em 2026, com perspectiva conservadora para o segundo semestre na Europa.

No Brasil, o padrão se repete com números mais fortes. No acumulado de janeiro a junho de 2026, os dados do FOHB mostram ocupação de 60,16%, alta de 0,7%, diária média de R$ 447,56, alta de 5,7%, e RevPAR de R$ 269,27, alta de 6,5%. Em junho, a ocupação recuou 1,2% e o segmento Upscale foi o único a cair nos três indicadores.

A leitura estratégica vale para qualquer mercado: o crescimento veio de preço, não de volume.

Isso muda o peso de cada custo novo. Quando a receita adicional nasce da diária e não de mais reservas, cada ponto percentual de comissão, cada canal mal aproveitado e cada lead sem resposta consomem uma fatia proporcionalmente maior do que sobra.

No caso brasileiro, some ainda o ano-teste do IVA dual, com CBS e IBS já destacados nos documentos fiscais, e a hospedagem em regime específico com redução de 40% nas alíquotas. Não elimina a necessidade de revisar precificação, contratos corporativos e emissão fiscal no PMS até dezembro.

A consolidação da IA generativa e dos agentes autônomos na operação

A IA generativa virou ferramenta operacional na hotelaria. Em 2026, o foco migra de chatbots simples para agentes autônomos que executam tarefas ao longo da jornada, como follow-up de cotação e oferta de upgrade, com impacto direto em eficiência e receita.

A adoção acompanha o mercado. Segundo o relatório da McKinsey com a Skift sobre IA agêntica em viagens, a menção a IA nos relatórios anuais das maiores empresas de turismo saltou de 4% em 2022 para 35% em 2024, e quase 60% dos executivos já creditam à IA um ganho de produtividade.

O capital acompanhou a virada. O aporte de venture capital em startups de viagem com IA passou de cerca de 10% do total em 2023 para 45% no primeiro semestre de 2025, segundo o mesmo levantamento. A pergunta deixou de ser se a IA entra na operação e passou a ser onde ela gera valor primeiro.

Aqui está a diferença que importa para o seu hotel. Um chatbot tradicional responde mensagem por mensagem e espera o viajante iniciar. Um agente de IA é proativo e completa a ação.

Três pontos separam os dois:

  • Iniciativa: o chatbot é reativo e trabalha por regras fixas. O agente identifica o momento certo com base em eventos e dados.
  • Autonomia: o chatbot devolve uma resposta. O agente executa uma tarefa de ponta a ponta.
  • Integração: o chatbot vive no chat do site. O agente atua em vários canais de comunicação, nos sistemas do hotel, como o PMS, que é o sistema de gestão da propriedade, e o motor de reservas.

Na prática, um time de agentes autônomos assume tarefas que hoje travam a central de reservas: recuperar cotações não finalizadas com follow-up no timing de decisão do viajante, enviar instruções de check-in e check-out para o hóspede usando os dados do PMS, e reengajar leads mornos com ofertas personalizadas sem depender de um agente humano disponível.

O desenho libera o time humano para a hospitalidade de alto valor. É o que sustenta essa sinergia entre automação e o toque humano, e vale entender melhor como usar a IA na hotelaria antes de escolher por onde começar.

Foi essa combinação que sustentou o crescimento de clientes como o resort Le Canton, que aumentou a participação das reservas diretas de 30% para 70% ao unir automação inteligente com o time de reservas.

O custo de distribuição sob pressão, e os reguladores no meio do jogo

A dependência de OTAs seguiu subindo justamente no momento em que ela ficou mais cara. O Brasil viveu o exemplo mais visível do ano. Desde 1º de julho de 2026, a Booking.com aplica comissão de 18% para propriedades do programa Preferencial, ante os patamares históricos de 15% a 16%, e a taxa padrão para quem está fora do programa segue em 15%.

O reajuste foi comunicado com menos de 60 dias de antecedência e levou seis entidades do setor a protocolar representação no CADE pedindo a suspensão da medida, em um movimento que impacta diretamente a rentabilidade dos hotéis.

O movimento regulatório, porém, é global e vem de antes:

  • União Europeia: a Booking.com foi designada gatekeeper sob o Digital Markets Act, e as obrigações passaram a valer no fim de 2024, o que levou à remoção das cláusulas de paridade. O texto proíbe também “medidas de efeito equivalente”, o que mantém em aberto o debate sobre mecanismos de ranqueamento que produzem o mesmo resultado.
  • Corte de Justiça da UE: a decisão no caso C-264/23, de setembro de 2024, afastou o entendimento de que cláusulas de paridade seriam restrições acessórias necessárias ao modelo de plataforma.
  • Espanha: a CNMC aplicou multa de 413,24 milhões de euros por abuso de posição dominante ligado à imposição de paridade tarifária.
  • Itália: a AGCM abriu nova investigação em abril de 2026 sobre o Preferred Partner Programme e programas correlatos, agora sob a ótica de proteção ao consumidor.
  • Ações coletivas: associações hoteleiras nacionais de dezenas de países se organizaram para buscar reparação por anos de cláusulas de paridade.

Em mercados onde a paridade caiu, você tem liberdade legal para oferecer condição melhor no canal direto, e essa liberdade só vale alguma coisa se o seu canal direto souber converter. Em mercados onde a paridade ainda vigora, o caminho é diferenciar por valor: cortesias, flexibilidade, upgrade, condição de cancelamento, tudo o que não é preço na tela.

Nos dois cenários, a conclusão é a mesma. Subir tarifa na OTA para compensar comissão não é saída sustentável, porque penaliza a sua visibilidade no algoritmo. Reduzir a dependência do canal é a alavanca que sobra sob o seu controle, e vale entender bem comissão de vendas em hotéis antes de decidir onde mexer.

Faça a conta antes de reagir. Três pontos percentuais a mais significam R$ 300 a cada R$ 10 mil vendidos naquele canal. Vale conferir na extranet a condição real da sua propriedade, porque reajustes desse tipo costumam valer para programas específicos, não para toda a base.

Canais de mensagem: mais importantes e menos gratuitos

O WhatsApp segue como o canal direto mais relevante para viajantes em boa parte da América Latina, Europa, Oriente Médio, África e Ásia, e é onde a conversa de venda direta acontece de fato.

Duas mudanças merecem a sua atenção agora.

A primeira é de custo. A Meta segue migrando a WhatsApp Business API para um modelo de cobrança por mensagem, e a partir de 1º de outubro de 2026 as respostas de serviço enviadas dentro da janela de 24 horas passam a ser cobradas, conforme a documentação oficial de precificação.

O efeito prático é simples de antecipar: o volume de mensagens que o seu hotel envia vira uma linha de custo previsível. Vale começar a medir esse volume agora.

A segunda joga a favor. A reserva de nomes de usuário no WhatsApp foi liberada globalmente no fim de junho de 2026, com rollout gradual. O hotel passa a poder divulgar um identificador fixo, algo como @hotelexemplo, em vez de um número de telefone, e o viajante que conhece esse username inicia a conversa sem salvar contato.

Duas ressalvas: não existe diretório público de busca, então o username é um endereço que você divulga e não um canal de descoberta espontânea, e vale confirmar com o seu provedor oficial se as suas integrações já estão preparadas para o identificador que substitui o número em conversas de quem optou por ocultá-lo.

Quando o viajante não chega mais pela busca: IA generativa e reserva por agentes

Esta é a tendência que menos aparece nas conversas de corredor e que mais deve mudar o seu funil nos próximos dois anos. E ela é global por natureza, porque não depende de regulação local nem de mercado.

O ponto de partida da pesquisa mudou. No Changing Traveller Report 2026 da SiteMinder, feito com 12 mil viajantes em 14 países, as OTAs ultrapassaram os buscadores como ponto de partida da pesquisa de hospedagem pela primeira vez, com 26% contra 21%, e os buscadores caíram de 36% no levantamento anterior.

Ao mesmo tempo, quem chega ao buscador clica menos. As respostas geradas por IA absorvem a intenção antes do clique, e categorias de viagem estão entre as mais afetadas pela queda de tráfego orgânico de referência em praticamente todos os mercados medidos.

O outro lado da moeda é a qualidade do que sobra. O tráfego vindo de interfaces de IA chega pré-qualificado, porque o viajante já comparou opções dentro da conversa antes de clicar. Menos visitas, intenção mais quente.

E a camada seguinte já está em construção. Booking e Expedia lançaram aplicativos dentro do ChatGPT, o Google anunciou reserva agêntica dentro do AI Mode e cadeias hoteleiras começaram a processar reservas por esse caminho. O debate aberto no setor é quem fica com a comissão nesse novo trajeto, e a resposta ainda não existe.

A IDC resume o efeito estrutural: descoberta, comparação, reserva e atendimento passam a ser mediados por agentes inteligentes agindo em nome do viajante, o que redesenha o funil de distribuição inteiro.

O que fazer com isso ainda em 2026, sem cair em promessa vazia:

  • Trate o seu conteúdo como fonte, não como isca. Páginas que respondem perguntas concretas sobre destino, propriedade e políticas são as que os modelos conseguem citar com confiança.
  • Arrume os dados estruturados. Schema.org, informações consistentes de amenidades, políticas e localização são o mesmo investimento que faz o seu hotel aparecer numa recomendação e ser legível por um agente.
  • Cuide do seu perfil no Google. Boa parte dos cliques originados em respostas de IA dentro do ambiente Google ainda desemboca ali.
  • Trate avaliações como sinal de recomendação. Volume, nota e, principalmente, recência sustentam a confiança com que um modelo recomenda a sua propriedade.
  • Meça. Crie um segmento de tráfego para origens de IA no seu analytics e acompanhe a evolução em vez de discutir a tendência no abstrato.

Desconfie de qualquer fornecedor que prometa garantia de citação em IA ou selo de certificação. Não existe mecanismo de inclusão garantida nem órgão certificador para isso.

O redesenho da força de trabalho: o humano empoderado pela IA

A maior tendência de 2026 não é a substituição de humanos pela IA, é a sua capacitação. Ao automatizar tarefas repetitivas, as equipes de reservas e recepção ganham tempo para venda consultiva, upselling complexo e experiências que geram fidelidade e avaliações positivas.

A evidência de mercado aponta nessa direção. No levantamento da McKinsey com a Skift, quase 6 em cada 10 executivos de viagens associam IA a mais produtividade, não a menos gente.

O papel do agente de reservas evolui para o de consultor de viagens. Enquanto a automação cota tarifas e verifica disponibilidade a qualquer hora, o humano entra para negociar um pacote de lua de mel, vender uma experiência ou conduzir um grupo corporativo.

Um exemplo torna isso concreto. A IA responde à enésima pergunta sobre horário do café da manhã e política de cancelamento, enquanto o seu agente conduz a negociação de um grupo de 30 quartos. As duas conversas acontecem ao mesmo tempo e nenhuma trava a outra.

Essa transição funciona melhor quando o agente enxerga o viajante por inteiro, e é aí que entra uma estratégia omnichannel bem definida, que centraliza os canais em um só lugar.

Como preparar sua equipe para a era da IA:

  • Auditoria de tarefas: mapeie o que é repetitivo e pode ser automatizado, como responder à mesma dúvida sobre horário de check-in.
  • Treinamento focado: capacite o time em venda consultiva, storytelling do hotel e técnicas de upselling.
  • Novos KPIs: troque “tempo de resposta” por taxa de conversão de leads qualificados e receita adicional por atendimento. KPI, aqui, é o indicador-chave que mede o desempenho.
  • Ferramentas integradas: garanta que a plataforma de IA converse com o seu CRM, o sistema que centraliza o relacionamento com o cliente, e com o PMS.
  • Clareza na resposta: com canais de mensagem migrando para cobrança por mensagem, responder de forma completa vale mais do que responder em vários balões.

Produtividade da equipe e receita andam juntas. Vale entender melhor como o aumento de produtividade afeta a receita da sua central.

Dados preditivos e eventos climáticos: uma nova camada no revenue management

O revenue management de 2026 vai além da sazonalidade e da análise de concorrentes. A integração de dados macro, como previsões climáticas e calendários de eventos regionais, permite uma precificação dinâmica mais precisa e proativa.

O clima já move a demanda de forma mensurável. A UN Tourism alertou que eventos climáticos extremos estão alterando os padrões de fluxo turístico, com viajantes migrando para destinos de clima mais ameno nas altas temporadas tradicionais.

O comportamento ganhou nome no mercado europeu, coolcation, e aparece nos dois hemisférios. Verões extremos deslocam demanda do Mediterrâneo para o norte da Europa, e fenômenos como El Niño e La Niña alteram a demanda regional na América do Sul, onde um inverno mais ameno pode esvaziar hotéis de serra enquanto calor fora de época desloca fluxo entre destinos de praia.

Para reagir, o revenue manager precisa de ferramentas que processem dados não tradicionais. Cruzar demanda, clima, eventos locais e preços da concorrência em tempo real deixou de ser diferencial e virou requisito para acertar a tarifa.

A anomalia também abre espaço para campanha direcionada. Uma onda de calor fora de época justifica uma ação do tipo “fuja do calor, aproveite piscina e ar-condicionado com condições especiais”, capturando demanda que a sazonalidade histórica não previa.

Na prática, isso exige stack integrado. O PMS alimenta o histórico de ocupação, a plataforma de inteligência cruza esses dados com clima e eventos regionais, e o sistema de gestão de receita ajusta a tarifa antes de a concorrência perceber a virada. Sem essa camada conectada, a precificação dinâmica continua reagindo tarde.

Perguntas frequentes

A inteligência artificial vai substituir meu time de reservas?

Não. A tendência é que a IA assuma tarefas repetitivas, liberando a equipe humana para vendas complexas, negociações e atendimento personalizado, atuando como consultores de viagem estratégicos.

O que são agentes autônomos na hotelaria?

São sistemas de IA que, diferente de chatbots, agem de forma proativa e completam tarefas de ponta a ponta ao longo da jornada, como recuperar cotações não finalizadas, enviar instruções de check-in via PMS e reengajar leads, integrando-se aos sistemas do hotel.

Por que as comissões de OTAs viraram assunto em tantos países ao mesmo tempo?

Porque a dependência do canal cresceu enquanto reguladores passaram a olhar para as regras das plataformas. Na Europa, o Digital Markets Act e decisões judiciais derrubaram cláusulas de paridade. No Brasil, entidades do setor levaram ao CADE o aumento de comissão anunciado em 2026. São processos diferentes com a mesma raiz: concentração de distribuição.

A paridade tarifária ainda vale no meu mercado?

Depende do país. Em boa parte da Europa, as cláusulas foram removidas ou proibidas. Em outros mercados, elas seguem em vigor. Confirme com o seu jurídico antes de anunciar preço menor no canal direto e, onde a paridade valer, diferencie por valor agregado em vez de preço.

Como faço meu hotel aparecer em respostas de IA como ChatGPT e Gemini?

Não existe garantia de inclusão. O que funciona é conteúdo próprio que responde perguntas concretas sobre destino e propriedade, dados estruturados consistentes, perfil no Google atualizado e avaliações recentes em volume. Desconfie de quem promete citação garantida ou vende selo de certificação.

Qual o primeiro passo para reduzir a dependência de comissões de OTAs?

Otimizar os canais de atendimento direto. Uma solução omnichannel que centralize WhatsApp, Instagram, chat do site e e-mail, com automação, garante que nenhum lead de reserva direta se perca por falta de resposta.

O que muda na prática com os usernames no WhatsApp?

O viajante que conhece o seu nome de usuário consegue iniciar a conversa sem salvar um número, o que reduz o atrito do primeiro contato. Não existe diretório público de busca, então o username funciona como um endereço a ser divulgado, não como canal de descoberta.

Como começar a usar dados preditivos na estratégia de preços?

Integre o PMS a uma plataforma de inteligência que analise dados de mercado, e acompanhe calendários de eventos locais e relatórios climáticos para identificar padrões de demanda que não são óbvios, ajustando tarifas com antecedência.

As tendências deste ano mostram que a união de tecnologia e estratégia é o caminho para proteger margem enquanto os custos de distribuição e de canal sobem. Se o seu hotel quer transformar esses desafios em receita, converse com um de nossos especialistas e descubra como a plataforma all-in-one de IA e comunicação da Asksuite pode automatizar sua operação e impulsionar suas reservas diretas. Solicite uma demonstração gratuita.

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